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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ana de Hollanda encontra com escritores na FBN

Discurso da Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, durante encontro com escritores na FBN

Minhas amigas e meus amigos…

Seria talvez apenas banal dizer que é um prazer estar aqui hoje, neste nosso encontro. Porque estar na Biblioteca Nacional, percorrer o seu espaço, não é nunca somente um mero prazer. É sempre mais…

Esta biblioteca, tudo aqui, é sinônimo de grandiosidade e de grandeza.

Uma biblioteca que não abriga, simplesmente, algumas coisas raras, jóias, preciosidades documentais. É bem mais que isso: abriga tesouros bibliográficos e iconográficos, com documentos que datam do início mesmo da nossa existência histórica.

Uma biblioteca que hoje guarda, por isso mesmo, mais de meio milênio de memória da nossa gente brasileira.

Na verdade, tornou-se mesmo um lugar comum dizer que o Brasil tem um grande orgulho da Biblioteca Nacional. Mas lugares comuns, por serem comuns, nem por isso deixam necessariamente de ser verdadeiros.

No caso da Biblioteca Nacional, penso que o nosso empenho deve ser o de fazer com que o lugar comum se torne cada vez mais comum. Isto é: que seja sempre maior, a cada dia, o número de brasileiras e brasileiros que saibam reconhecer o significado dessa instituição. E que possam dizer, com todas as letras: o Brasil tem orgulho da Biblioteca Nacional.

Porque a nossa situação hoje, apesar dos inegáveis avanços que aconteceram nesses últimos anos, nem de longe se aproxima daquilo que se poderia considerar desejável.

De uma parte, temos autores e editores de alta e mesmo de altíssima qualidade. E, de outra, uma população que, em boa parte, ainda guarda – ou é obrigada a guardar – distância do livro e da leitura. Que vive em estado de marginalidade cultural e literária.

No campo do livro e da leitura, aí estão as questões centrais que nos ocupam. E vamos falar um pouco, aqui, de cada uma delas. Da qualidade da produção e do despreparo da população – em especial, daquela “gente humilde”, de que falava o poeta, gente que não tem meios ou instrumentos de acesso à produção cultural. Mas, também, dos que começam a ascender socialmente.

Todos vocês sabem que o Brasil, hoje, é o oitavo maior produtor de livros do planeta. Que temos escritores e editores tidos na mais alta conta não somente em nosso país, mas no mundo inteiro. Que já é clara e forte a nossa presença nos grandes eventos internacionais do mundo dos livros.

Ao Ministério da Cultura cabe contribuir para que essa participação internacional brasileira seja cada vez maior. Nas nossas vendas para o mundo, nas feiras internacionais. E vamos fazer isso na base do planejamento e do diálogo.

Já estamos começando a fazer, aliás, com relação à Feira do Livro de Frankfurt, que vai se realizar em 2013. A presença brasileira, no grande evento, será organizada pelo Ministério da Cultura, através da Fundação Biblioteca Nacional. Mas será organizada com a participação de todos os interessados, dentro e fora do governo. Com os diversos atores e agentes do mundo dos livros.

Aproveito, aliás, para comunicar a vocês (se é que vocês ainda não sabem), que a Diretoria do Livro, Leitura e Literatura – antes vinculada à Secretaria de Articulação Institucional do MinC – faz parte, agora, da estrutura da Fundação Biblioteca Nacional. Como não poderia deixar de ser: aqui é o seu lugar lógico, o seu lugar natural. E isto vai tornar mais fácil e mais fluente a nossa conversa.

Porque o Ministério quer, de fato, ampliar o diálogo com os que escrevem e com os que produzem e comercializam livros. Mantendo abertos e limpos nossos canais de comunicação. Ouvindo e procurando levar em conta as contribuições dos que atuam nesse campo – e conhecem, mais do que ninguém, o assunto.

Para que, assim, a gente possa ter maior amplitude e clareza – e, ao mesmo tempo, possa lidar com mais matizes – na elaboração de políticas públicas para o livro e sua leitura.

Minhas amigas, meus amigos…

Vamos, agora, à outra questão a que me referi, não sem muita tristeza: a da distância do livro e da leitura, em que grande parte da população brasileira ainda se encontra.

Não é por outra razão que estamos trabalhando, junto com o Ministério da Educação e outras áreas do governo da presidenta Dilma, para que o Plano Nacional do Livro e Leitura possa se enraizar nos estados e municípios. E ampliar seus vínculos com a sociedade brasileira.

É certo que o Brasil está lendo mais. Passamos a ter mais leitores, o número de bibliotecas aumentou, cresceram os índices nacionais de leitura. Mas o quadro, apesar das mudanças recentes, não pode deixar nenhum de nós satisfeito. Por isso, é hora de acelerar ações para aproximar livros e pessoas. Para criar leitores.

Já no meu discurso de posse, afirmei que era necessário alargar o acesso da população aos bens simbólicos. Aproveitando a ocasião, pedi ao Congresso Nacional, que aprovasse o mais rápido possível o nosso Vale-Cultura. Para que fosse possível incrementar a inclusão da cultura na cesta do trabalhador e da trabalhadora.

O Vale-Cultura vai representar um investimento muito maior do que o da Lei Rouanet. E é fundamental que o negócio do livro se prepare para esse novo momento, que será uma pequena revolução no consumo de bens culturais no Brasil.

Estamos conversando já com alguns parceiros sobre a necessidade de se apoiar pequenas editoras, livrarias, o negócio do livro de um modo geral. De um lado, apoiar a expansão dos pontos de venda. De outro, ajudar a colocar recursos nas mãos dos consumidores. Ao mesmo tempo, é preciso que o mercado crie livros que caibam no bolso de todos os brasileiros. Pois só assim o livro vai chegar, de fato, à cesta básica das classes populares.

Mas é claro que ainda não será suficiente. E é por isso que o MinC quer estar presente nas escolas, trabalhando junto com o Ministério da Educação. Preparando as nossas crianças e a nossa juventude para o livro e a leitura. Contribuindo para a criação de uma cultura democrática do livro e da leitura em nosso país.

Minhas amigas, meus amigos…

Quero lembrar, por fim, que as duas faces de nossa atuação se entrelaçam. A ampliação da comunidade nacional de leitores vai ampliar o raio de alcance da produção autoral e editorial. E quem vai ganhar com isso é o Brasil. É a cultura brasileira.

Para encerrar, já que nos encontramos aqui neste espaço venerável, quero dizer que esta biblioteca, uma das maiores e mais fascinantes do mundo, terá sempre prioridade em nossa gestão.

Quero também anunciar que, graças a uma parceria com o BNDES, vamos começar, nos próximos meses, as obras da Hemeroteca Nacional, aqui na zona portuária do Rio de Janeiro. E que estamos elaborando o projeto de uma grande biblioteca nacional digital, que coloque ao alcance de um clique o acervo desta instituição. Mas também criando condições para ter uma Biblioteca Nacional que venha a emprestar livros digitais.

Em resumo, é isso… Entre o passado e o futuro, é por onde estamos a andar.

Muito obrigada.

Fonte: MinC
http://www.cultura.gov.br/site/2011/04/08/fundacao-biblioteca-nacional-4/

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